segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Tem mais de 23 milhões de dígitos e é o maior número primo descoberto até agora

«Foi anunciada esta semana a descoberta de um número primo que que será o maior encontrado até hoje, com 23.249.425 algarismos. Chama-se M77232917 e é o 50.º número primo do tipo de Mersenne.

Os números primos são divisíveis apenas por um e por si próprios. Assim, 2, 3, 5, 7, 11, e por aí fora, são números primos. Por exemplo, 10 não é um número primo, porque é também divisível por 2 e 5. Um número primo de Mersenne é uma forma rara de número primo: tem a forma de 2 elevado a P menos 1, em que P é um número primo. Assim, os primeiros números primos de Mersenne são 3, 7, 31, 127, 8191, e por aí fora. O nome da fórmula vem do monge francês Marin Mersenne, que estudou estes números no século XVII. Até agora, existiam 49 destes números raros identificados. Jonathan Pace, um engenheiro electrotécnico de 51 anos, do Tennessee, nos EUA, encontrou o 50.º número primo do tipo de Mersenne.

Por incrível que pareça, há pessoas que são “caçadores” de números primos. Jonathan Pace é um deles e já se dedica a esta “causa” há 14 anos. É voluntário no projecto Great Internet Mersenne Prime Search (GIMPS), criado em 1996 e que junta milhares de voluntários em todo o mundo. Qualquer pessoa pode participar.

Para a maioria das pessoas, o resultado desta aventura são milhões de algarismos juntos. Para uma grande parte dos matemáticos, é algo admirável. O resultado foi obtido calculando 2 elevado a 77.232.917 menos 1. E o produto desta simples “conta” é, reforçamos, um número com mais de 23 milhões de algarismos, que se o escrevêssemos num papel ocuparia o mesmo espaço de duas edições da obra Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust. Ou, se preferir algo menos literário, o equivalente a 118 quilómetros com dois dígitos por centímetro. Assim, escusado será dizer que o número completo não cabe aqui, mas, para os mais curiosos, pode ser consultado na Internet

Fonte:https://www.publico.pt/2018/01/05/ciencia/noticia/tem-mais-23-milhoes-de-digitos-e-e-o-maior-numero-primo-descoberto-ate-agora-1798298


Múmia de criança do século XVI tinha hepatite B

«Cientistas sequenciaram o genoma de uma estirpe do vírus da hepatite B encontrada no corpo mumificado de uma criança que morreu no século XVI, confirmando que este agente patogénico afecta a humanidade há muitos séculos. Anteriores análises aos restos da criança, enterrados na Basílica de São Domingos Maior, em Nápoles, Itália, sugeriam que tivesse sido infectado com o vírus da varíola, com a cara apresentando marcas aparentemente deixadas pelas pústulas da doença. No entanto, investigadores da Universidade de McMaster, no Canadá, analisaram pequenas amostras de pele e de tecido ósseo e conseguiram identificar fragmentos de ADN viral.

A análise do genoma viral revelou que se tratava do vírus da hepatite B, que afecta o fígado e que pode também causar erupção cutânea na cara, conhecida como síndrome de Gianotti-Crosti, de acordo com a investigação publicada na revista científica norte-americana PLOS Pathogens.

A descoberta vem confirmar que a hepatite B afecta a humanidade há muito tempo e que o vírus pouco se alterou nos últimos 450 anos, disse Hendrik Poinar, geneticista evolutivo da Universidade de McMaster e o principal autor do trabalho.»

Fonte: https://www.publico.pt/2018/01/05/ciencia/noticia/mumia-de-crianca-do-seculo-xvi-tinha-hepatite-b-1798248

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Antropoceno: E se formos os últimos seres vivos a alterar a Terra?

«Foi o ano passado que Maria Paula Diogo e Ana Simões – ambas coordenadoras do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT) –, bem como investigadores internacionais, se colocaram no lugar de um Peter Schlemihl viajante no tempo. “Como interpretaria ele objectos desconhecidos, por exemplo um saco de plástico pendurado numa árvore?”, pergunta ao PÚBLICO Maria Paula Diogo, também da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

A resposta está no diário que a equipa concebeu no ano passado no âmbito do “Anthropocene Curriculum”, um projecto educacional de debate sobre o Antropoceno promovido, desde 2014, pelo Instituto Max Planck para a História da Ciência, em Berlim, Alemanha. “Exploro o desconhecido, e cedo compreendo que muitas espécies habitam este surpreendente novo mundo”, afirma nesse diário o imaginário Peter Schlemihl. E, com os seus “olhos de botânico”, tenta classificar o que vê: chama Metalica rhinoceros aos carros, comparando-os a rinocerontes, e Mosca majora a um helicóptero, que lhe parece um “enorme e rápido insecto voador”. E as bicicletas são Metalica hippos, descritos como “rebanhos de uma nova espécie de cavalos selvagens”, que, acrescenta, “são provavelmente perigosos, pois estão frequentemente algemados [com cadeados].”

Esta nova forma de olhar para os objectos modernos é, explicam as investigadoras portuguesas, uma reflexão sobre o “borrão” em que o Antropoceno transformou o mundo: “O que é realmente natural num mundo profundamente moldado pela humanidade e, ao mesmo tempo, adaptado à tecnologia?”, perguntam na esperança de que alguém se junte a elas num debate que consideram urgente.

A expressão “Antropoceno” é atribuída ao químico e prémio Nobel Paul Crutzen, que a propôs durante uma conferência em 2000, ao mesmo tempo que anunciou o fim do Holoceno – a época geológica em que os seres humanos se encontram há cerca de 12 mil anos, segundo a União Internacional das Ciências Geológicas (UICG), a entidade que define as unidades de tempo geológicas. 

Mas o que é exactamente o Antropoceno e por que está a receber tanta atenção? É, como o nome antecipa, a época dos humanos. A nossa espécie está a deixar marcas na Terra. 

Estamos a falar de fenómenos registados em gráficos como a curva de Keeling – que mostra a concentração de dióxido de carbono na atmosfera terrestre – e que, em 2016, atingiu um valor recorde (403 partes por milhão, ou seja por cada milhão de moléculas na atmosfera há agora 403 de dióxido de carbono). Ou como os microplásticos nos oceanos, que não só prejudicam os ecossistemas marinhos como acabam, a certa altura, no nosso prato – numa demonstração de como o feitiço se pode virar contra o feiticeiro. 

(...)

A verdade é que os humanos não são os primeiros seres vivos a alterar o planeta: o surgimento de oxigénio na atmosfera, que nos permite respirar, deve-se à fotossíntese feita pelas cianobactérias há mais de 2000 milhões de anos. Mas e se formos os últimos? “Estamos a transformar a Terra em Vénus”, alerta Jürgen Renn, referindo-se ao planeta vizinho que tem uma atmosfera muito densa, predominantemente constituída por dióxido de carbono, com um efeito de estufa infernal. E a Terra – conhecida como o planeta azul – poderá um dia dar lugar a uma paisagem desértica e poeirenta. A pergunta, sugere Maria Paula Diogo, que se impõe é: “Começamos a pensar em soluções para fora do planeta, mas não será mais relevante pensarmos como resolver os problemas que temos hoje, na Terra?”»

in https://www.publico.pt/2017/12/02/ciencia/noticia/antropoceno-e-se-formos-os-ultimos-seres-vivos-a-alterar-a-terra-1794551

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O que é o glifosato?

Quando foi inventado o glifosato?

Foi inventado na Suíça, em 1950, mas acabou por ser esquecido, uma vez que não se percebeu, na altura, que podia ser utilizado como herbicida, para matar uma grande variedade de espécies vegetais e, sobretudo, para queimar ervas daninhas. Mais tarde, em 1969, o cientista John Franz foi quem acabou por desenvolver a fórmula química. E lançou-se assim, em 1974, o Roundup, a marca da empresa norte-americana Monsanto, para a qual John Franz trabalhava. Desde então têm-se produzido muitas variações do produto. Só na Europa existem cerca de 300 herbicidas à base de glifosato de 40 empresas. O uso do herbicida tem vindo a aumentar no mundo, por exemplo, devido ao desenvolvimento de culturas geneticamente modificadas com o objetivo de resistirem a este herbicida.

Quantos relatórios foram elaborados sobre o glifosato nos últimos tempos?

Entre 2016 e 2017, foram elaborados quatro relatórios por várias instituições. O primeiro – da Agência Internacional para a Investigação do Cancro, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e publicado em Março de 2015 – considerou o glifosato um herbicida genotóxico (com efeitos negativos para o ADN) e “provavelmente” carcinogénico, o que contribuiu para alimentar os protestos de alguns países e de grupos ambientalistas. Os outros três relatórios concluíram, contudo, que é pouco provável que o glifosato provoque cancro nas pessoas. Um destes últimos relatórios incluía entre os autores a OMS. Por isso, a OMS alertou para o facto de os vários relatórios parecerem contradizer-se, mas que, na verdade, são complementares: o glifosato pode ser perigoso, mas não representa necessariamente um risco para a saúde. A diferença entre perigo e risco foi explicada pela OMS em Maio de 2016: um produto químico pode ser perigoso em si mesmo, mas representar um risco mínimo para a saúde das pessoas tendo em conta a exposição a ele a que estão sujeitas, devido, por exemplo, à sua ocupação profissional, ao ambiente ou à comida.  

Fonte:https://www.publico.pt/2017/11/27/ciencia/perguntaserespostas/o-que-e-o-herbicida-1794123

Jovem de 11 anos ganha prémio de ciência no valor de 25 000 dólares

Gitanjali Rao, uma aluna do estado norte-americano do Colorado que frequenta o sétimo ano, recebeu o título de Melhor cientista jovem americana por ter criado um aparelho que detecta chumbo na água potável, noticia a CNN. A invenção da jovem de 11 anos foi inspirada pela crise da água de Flint, no Michigan, onde os cortes de custos levaram à contaminação da água potável. Segundo a jovem, o seu aparelho é mais rápido a concluir a medição e tem custos mais baixos do que os métodos actuais.

A par do título no Discovery Education 3M Young Scientist Challenge, Gitanjali Rao ganhou um prémio no valor de 25.000 dólares que será usado para “desenvolver o aparelho com o intuito de o poder comercializar brevemente”, disse à CNN.







segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Pausa para refletir...

A filosofia, diz-se por vezes, não serve para nada. [...]
Mas será verdade que a filosofia não serve para nada? Claro que não. A filosofia, como a ciência, como a arte e como a religião, serve para alargar a nossa compreensão do mundo. Em particular, a filosofia oferece-nos uma compreensão da nossa estrutura conceptual mais básica, oferece-nos uma compreensão daqueles instrumentos que estamos habituados a usar para fazer ciência, para fazer religião e para fazer arte, assim como na nossa vida quotidiana. A filosofia é difícil porque se ocupa de problemas tão básicos que poucos instrumentos restam para nos ajudarem no nosso estudo. Os matemáticos fazem maravilhas com os números; mas são incapazes de determinar a natureza última dos próprios números -- têm de se limitar a usá-los, apesar de não saberem bem o que são. Todos nós sabemos pensar em termos de deveres, no dia a dia; mas a filosofia procura saber qual é a natureza desse pensamento ético que nos acompanha sem nós darmos muitas vezes por isso.
Para compreendermos melhor as dificuldades da filosofia é conveniente pensar numa metáfora. Imagine-se que eu estou a fazer uma casa. Preciso de usar vários instrumentos, como a pá de pedreiro, e vários materiais, como o cimento. Mas quando quero fazer uma pá de pedreiro, ou quando quero fazer o cimento, terei de usar outros instrumentos mais básicos. E depois terei de ter instrumentos para fazer os instrumentos com que faço a pá de pedreiro ou o cimento. E por aí fora. Experimente ir para uma ilha deserta fazer uma casa, sem levar nada da civilização. Será extremamente difícil: não terá instrumentos à sua disposição para fazer nada, exceto as suas mãos e a sua inteligência.
Num certo sentido, é esta a dificuldade da filosofia: estamos a tentar estudar os próprios instrumentos que usamos habitualmente para pensar. Por esse motivo, falta-nos instrumentos, falta-nos apoio. Mas não estamos completamente desamparados; temos a argumentação para nos ajudar. São os argumentos que fazem a diferença. São os argumentos que nos permitem ir mais longe na compreensão da nossa estrutura cognitiva mais profunda, que nos permitem compreender melhor os conceitos que usamos no pensamento quotidiano, científico, artístico e religioso.
É agora claro que a filosofia serve para alguma coisa. Serve para compreendermos melhor a estrutura conceptual que usamos no dia-a-dia, na ciência, nas artes e na religião. Claro que a filosofia não serve para distrair o "povo", como o futebol ou a tourada. Mas também a matemática não serve para isso, nem a religião, nem a arte em geral. Para que serve "Os Maias" de Eça de Queirós? Para que serve a teoria da evolução de Darwin? Para que nos serve saber que só na nossa galáxia há tantas estrelas quantos os segundos que existem em 3 mil anos? Serve para sabermos mais sobre nós próprios e sobre o universo em que habitamos. Tal como a filosofia.

MURCHO, Desidério (2000). O que é a filosofia? http://www.intelectu.com/arquivo.html

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Factos científicos já descobertos em 2017

O site Science Alert fez uma seleção das descobertas científicas do primeiro semestre de 2017. Eis algumas:
1. Os pulmões também servem para produzir sangue. Cientistas da Universidade da Califórnia descobriram que esses órgãos produzem a maior pare das plaquetas do sangue  (cerca de 10 milhões por hora).
2. Em artigo publicado no periódico IOPscience, cientistas verificaram que é impossível criar uma máquina do tempo — a esperança é encontrar materiais que possam "dobrar" o espaço-tempo.
3. A Sibéria tem uma cratera enorme chamada "porta para o submundo" e seu pergelissolo (o tipo de solo encontrado no ártico) está a derreter tão rapidamente que antigas florestas estão a surgir, pela primeira vez, em 200 mil anos.
4. Os primeiros organismos semi-sintéticos já estão a viver entre nós: cientistas americanos criaram novas formas de vida usando um código genético expandido.
5. Vantablack é o material mais escuro conhecido pela ciência e agora pode ser encontrada na forma de spray.
6. Os cristais do tempo são um novo estado de matéria e agora temos um plano real para criar esses "objetos impossíveis".
7. Um novo órgão humano, o mesentério, foi encontrado. Num estudo, cientistas descobriram que ele une o intestino com a parede do abdómen.
8. Carl Sagan estava certo. Na obra O Mundo Assombrado Pelos Demónios, de 1995, o astrónomo prevê que, num futuro no qual as pessoas se sentem descrentes em relação à política e os políticos não conseguem representar os desejos da população, a humanidade iria voltar-se para as pseudociências. Não deu outra
9. O único neurónio que envolve todo o cérebro dos ratos foi encontrado e os estudos sugerem que ele está ligado com a consciência dos mamíferos. É isso, pelo menos, que defendem os cientistas no Institudo Allen de Ciências Neurológicas de Seattle, nos Estados Unidos.
10. O cachorro mais antigo do mundo não está extinto: o cão-cantor-da-nova-guiné parece estar a multiplicar-se. Recentemente, especialistas conseguiram fotografar mais de 15 indivíduos da espécie em um local remoto da Nova Guiné.
11. O apêndice pode não ser tão inútil como imaginávamos. Especialistas notaram que, durante a evolução, ele modificou-se diversas vezes, o que leva a crer que ele tenha alguma importância.
12. Após 130 anos, talvez tenhamos de repensar tudo o que sabemos sobre a árvore genealógica dos dinossauros. Isso graças à descoberta de alguns cientistas que foi publicada na Nature. Segundo eles, o fóssil do tamanho de um gato encontrado na Escócia fê-los reconsiderar a origem das espécies dos animais pré-históricos.
13. Segundo pesquisas feitas na Austrália, é possível que a síndrome do ovário policístico tenha início no cérebro e não nos ovários. Especialistas provaram que ratos que tinham parte do cérebro removido não desenvolviam mais a doença, enquanto os que perdiam os ovários ainda podiam apresentar a síndrome.
14. A Terra pode ter um novo continente: a Zealândia. O sétimo continente forma-se com a junção dos arquipélagos da Nova Zelândia e da Nova Caledónia. Segundos os 11 pesquisadores por trás do estudo, as ilhas seriam parte de um mesmo pedaço de terra com 4,9 milhões de km², que é separado da Austrália.
15. O ser humano causou um impacto tão grande na geologia terrestre que os especialistas estão a pedir para que uma nova "era geológica" seja gerada - a Antropoceno.
16. Os narvais — unicórnios do mar — usam os seus chifres para caçar comida como o peixe bacalhau do ártico. Até então, não se sabia para que essa parte do corpo dos animais era usada, mas o mistério parece ter sido resolvido num vídeo publicado pela National Geographic.
17. A atividade humana criou uma "bolha" que cerca o nosso planeta. As ondas de rádio emitidas criaram a barreira recentemente descoberta.
Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/